Antes de mais, tenho a dizer que adorei este tema, visto que este está de certa forma relacionado com a minha dissertação de Mestrado. Pois tanto eu como a equipa de investigação Bolt|Peters pretendemos analisar um videojogo através de meios tecnológicos e por abordagens pouco exploradas.
bolt|peters blog: http://boltpeters.com/blog/how-bp-resear
Bolt|Peters deparam-se com o problema de analisar/testar o videojogo Spore, um jogo lançado em 2008 cuja temática principal se baseia na evolução da vida na Terra (desde as pequenas células na água, até ao limiar da inteligência da espécie criada pelo jogador).
Normalmente a metodologia usada para este tipo de análises/testes centra-se em Focus Groups. Mas segundo a B|P, no qual eu concordo plenamente, este tipo de metodologia "não vale nada", porque nada é feito com naturalidade. Os beta testers são "obrigados" a seguir um rígido processo de análise, onde por hábito têm sempre alguém a trás a espreitar e a tirar apontamentos do que eles estão a fazer e da forma como reagem com o jogo. Desta forma os beta testers encontram-se numa situação de "perseguição" pelos investigadores, e por vezes as suas reacções, acções e atitudes não são desempenhadas com naturalidade, tornando assim uma análise de baixa fiabilidade, comprometendo os seus resultados.
A Bolt|Peters optou por deixar de parte a metodologia baseada em "Focus Groups", para criar a sua própria abordagem metodológica.
Esta nova abordagem assenta numa ideologia baseada num ambiente muito semelhante com um típico local de jogo com umas cadeiras, mesas, portáteis, etc. Esse local denominou-se de SNERD (Simulated Native Environment Research Division), com um background tecnológico que pôde suportar as necessidades dos investigadores, como por exemplo internet de alta velocidade, equipamento necessário para gravar os jogadores pela web cam e respectivo som pelo TeamSpeak (gravar expressões momentâneas dos jogadores enquanto jogavam), etc.
Ainda nesta nova metodologia, os beta testers têm um tempo flexível para testar o jogo e estes não se encontram no mesmo local que os investigadores, mas sim nas suas casas ou locais de trabalho (podendo estar à vontade, agir de forma natural, sem receberem instruções do que devem fazer no jogo, ou serem "perseguidos" pelos observadores/investigadores).
Recorreu-se também à tecnologia PENS (Player Experience of Need Satisfaction), para a recolha de dados de questionários através de um ecrã táctil substituindo o tradicional papel e caneta (dados quantitativos). Facilitando assim a vida aos beta testers, podendo estes, "quando quisessem", fazer uma pausa no jogo e preencher o questionário (em menos de 2 minutos).
O facto de gravarem (vídeo, áudio) durante 6 horas em 2 noites a cada jogador, acabou por se tornar um trabalho dispendioso em termos de tempo para a sua análise. Para além do tempo necessário para tirar notas enquanto o beta tester jogava Spore. Mas em compensação os resultados sempre foram mais viáveis, tendo em conta que os beta testers agiram de forma natural enquanto jogavam.